
Apesar da elevada arrecadação tributária, o Brasil permanece na última colocação entre 30 nações avaliadas no que diz respeito ao retorno dos impostos em benefícios para a qualidade de vida da população. Essa conclusão é parte da 14ª edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (Irbes), estudo conduzido pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
O presidente-executivo do IBPT destacou que países com economias menores que a do Brasil conseguem oferecer maior retorno social com seus impostos. “É preocupante que nações com arrecadação inferior à nossa apresentem melhores resultados no uso dos tributos para melhorar a vida de seus cidadãos. Isso reflete o cenário desafiador enfrentado pelos brasileiros”, afirmou.
No ranking do Irbes, o Brasil (30º) fica atrás de países como Itália (29º), Áustria (28º), Luxemburgo (27º) e Bélgica (26º), que também enfrentam altas cargas tributárias, mas ainda assim superam o Brasil em eficiência na aplicação dos recursos. O estudo observa que o Chile, por ter uma carga tributária significativamente menor, não é incluído nesse grupo.
O Brasil mantém a última posição no ranking desde a primeira edição do estudo, evidenciando a persistente má aplicação dos recursos arrecadados. Apesar de possuir uma carga tributária comparável à de nações desenvolvidas, como Reino Unido, França e Alemanha, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro indica um nível de desenvolvimento humano muito baixo.
O levantamento também destaca os países que mais convertem seus impostos em bem-estar social. A Irlanda, mesmo com uma leve redução no Irbes devido ao aumento de sua carga tributária, lidera o ranking pela sétima vez consecutiva, com 169,65 pontos. Em seguida, aparecem Suíça (2º, com 165,11 pontos), Estados Unidos (3º) e Austrália (4º). Um destaque é Israel, que subiu para a 5ª posição, após estar em 10º no ano anterior. Esse avanço ocorreu devido à redução de sua carga tributária de 32,90% do PIB em 2022 para 29,70% em 2023, além de um aumento no IDH de 0,915 para 0,927, um progresso significativo.
Sobre a liderança da Irlanda, o estudo aponta que o aumento da carga tributária em 2023 reduziu ligeiramente seu Irbes, mas não o suficiente para tirar sua primeira colocação. A Suíça, no entanto, está se aproximando, o que pode indicar mudanças no ranking em edições futuras.
O cenário atual tende a se manter nos próximos anos, com possíveis alterações pontuais, como a observada com Israel. O Irbes é calculado somando o valor da carga tributária (com peso de 15%) ao IDH (com peso de 85%), considerando que o desenvolvimento humano é um indicador mais relevante para o bem-estar social do que o volume de impostos arrecadados.